terça-feira, 28 de outubro de 2008

FOI HÁ CINQUENTA ANOS.


Naquele tempo e onde hoje é só cimento armado, eram olivais extensos, em dois desses olivais, meus pais apanhavam a azeitona que depois era dividida a meias com o proprietário, eu gostava imenso de apanhar a azeitona, minha mãe se admirava como eu tão pequenito conseguia apanhar mais azeitona que ela, era nesta altura que a mesma se vendia e dava tanto jeito o dinheirinho.
Meu pai levava-nos á feira (HOJE DESAPARECIDA) ia-mos ao circo, compravam-se golusices, brinquedos e era uma felicidade.
Num belo dia, chovia imenso e minha mãe não me deixou ir apanhar azeitona, fiquei sózinho em casa e fiz asneira da grossa, lembrei-me de ir buscar o saco das castanhas e puz-me a retalha-las para adiantar trabalho, mas o que consegui foi dar um tremendo golpe na mão esquerda.
Era muito sangue a jorrar, fui a correr e a gritar pela minha mãe, (eu tinha 7 anos) enrolei um trapo á mão a ensopar o sangue, minha mãe ao ver-me ficou como que paralizada, fomos de imediato ao hospital que até não era muito longe, mas a pé ainda se demorou um bocado.
Levei sete pontos para cozer o corte e ainda hoje cá tenho a marca bem vincada da brincadeira estúpida de um não menos estúpido cachôpo!
Resido nas mesmas imediações onde isto aconteceu, mas já não consigo vislumbrar uma OLIVEIRA!